dezembro 13, 2011

Vida de inseto.

"Redondos ou triangulares,
De qualquer forma são todos quadrados!".
E me sobe um arrepio,
Tal qual um assovio,
Talvez seja a verdade...
Ou quem sabe, a falta de realidade?

E quem sou eu para julgar?
Critico até minha sombra,
Pobre coitada!
Não tem como retrucar...

Esse medo em resquício,
Esse fantasma do ofício...
Mas não eram fantasmas?
Ou eram, apenas, palavras?

Pensamentos condimentados,
Opa! O que foi consignado?
A liberdade ou as mazelas?
As lágrimas ou seu passado?
Refém de todas elas...

E me assustam,
Definem por definições!
Enclausuram, atormentam,
Tantos poucos corações!

E por fim perecem,
Em um melancólico e sombrio...
Fantasmagórico lugar!
São estes que trazem o frio!
Estão em qualquer pensar...

"São estes...
Os insetos interiores!".

Rafael Nicolay

dezembro 10, 2011

Chaveiros.

E somos amigos,
Amigos de fato,
Amigos em ato...
Repito, amigos.

Não sei!
Muito bem o que digo ou o que defino,
Amigo é amigo,
Ponto, vírgula ou rima?

Intactos à vida,
Porém, o material,
Nos deixa refém...
Ante o essencial!

Mas amigo, então digas,
O que está perdido?
O que é a vida?
Esta que tanto desejo...

Anseio, procuro,
Desperdiço meu tempo,
Pulo até outros muros...
E até deixo meus versos soltos.

Como em um diálogo maroto,
Malandro é malandro,
E eu fico perambulando...
E te pergunto: Amigo! O que é amigo?

"Talvez seja a essência,
Talvez a aparência,
Mas amigo... Sempre estou contigo!".

Rafael Nicolay 


dezembro 08, 2011

O sono.

Sabe... Eu queria dormir...
Tirar minhas amigas do rosto,
Estas olheiras profundas, aqui,
Que não saem nem por desgosto.

Eu queria deitar, por mais um...
Segundo... Hora... Dia...
Fechar os olhos e nenhum,
Ser para acordar, tamanha ousadia.

Talvez fosse a falta de chuva,
O cheiro de terra,
Lágrimas de viúva,
O gosto da serva...

Servo do cotidiano,
Escrevo do coração...
Eu queria dormir!
Deitar-me-ei aqui no chão...

"E se alguém reclamar,
Eu falo que estou dormindo...".

Rafael Nicolay

dezembro 06, 2011

Pensas.

Se escrever, logo cresço.
Ao buscar, desperdiço.
Um sonhar, estranho berço,
Ao pensar, logo existo.

"Sem mais...".

Rafael Nicolay

dezembro 04, 2011

Ventania.


Texto e a alma,
E como se intercalam,
Textualizar, suavizar,
De fato, acalma.

Poesia para poucos,
Ou tolos que queiram ler,
E escutar, até acreditando,
O que um simples poeta tem a dizer...

Entre o verbo e o fardo,
O comisso, o entediado,
A procura de um laço,
Que me entrelaça o sentido.

Este, por fim,
Emoldura-se vago,
Aos planos que visualizo ao crescer,
Entretanto...


"São elas, entrelinhas, que me fazem viver.".

Rafael Nicolay

dezembro 02, 2011

Balões!


São de balões...
Todas as poesias,
Todas as alegrias.

Alguns inflados,
Outros nem tanto,
Outros ainda pelo ar...

Cheios de vida, de gás,
Inovando o ambiente,
Fugindo do evidente...

Voando e voando,
Como poetas,
Às pessoas.

E não omitem,
O quanto estão felizes,
Mas mentem...

Em algum momento,
Ao que lhes é convincente,
Mentem para si...

Do que sentem aqui,
Dentro de uma caixa,
Entre tantas faixas...

Sim, é o amor,
Não, é a paixão,
Opa! Mais um balão...

"E balões tendem a cair...".

Rafael Nicolay

dezembro 01, 2011

Ô mãezinha!

Ô mãe, me dá um abraço!
To com medo, vem cá, do meu lado...
Dá benção mãe,
Faz machucado sarar!

Mãe, ô mãezinha,
'cê' que sempre falou...
Ó, você tava certa!
Consegui, viu mãe!?

Ei mãe, nossa, a senhora tá bem?
E o remédio? E as receitas?
O médico disse que você não pode se esforçar...
E olha você ai, pra lá e pra cá!

Mãe! Mamãe!
Nossa, cadê você?
Você, justo você.
Que saudade!

Saudade de quando remédio ardia,
Mas você estava ali pra assoprar,
Saudade de quando você me protegia...
De bicho-papão, monstro no armário ou debaixo da cama...

Mãe... Nossa, que falta!
Sim, estas são minhas lágrimas por ti...
Mas mãe... Obrigado...
Sabe, todo esse carinho, esse apoio...

"Foi assim que eu venci!
Com você... Dentro do peito.".


Rafael Nicolay