abril 17, 2014

Um palhaço dentro de mim.

E palhaços nem sempre
Fazem os outros rirem.
Mas são alegria,
Não são a ousadia de uma cara normal...

São a plenitude de um ser mudo,
Do seu próprio mundo!
Como o desfecho do ridículo
Estampado na cara estupefata do óbvio.

Entre a pureza do erudito
E a sua desajuizada visão de um veredito...
É um ser entre linhas...
Por estar em... Palhaço!

Uma aventura desnuda e inocente
De um coração de aço
É por fim... Toda forma cômica
De um trágico espetáculo.


Rafael Nicolay

abril 04, 2014

É... E não muda.

Mudanças são coisas...
E coisas são complexas,
Coisas são adversas!
E no final, continuam sendo coisas.

Tudo o que definimos são assim,
Um nome para algo, as vezes, sem fim...
Grandes demais para poucas coisas,
Ou pequenos para coisa alguma.

E o que não compreendemos
Deixamos por dizer...
Como uma coisa no peito
Que não sabemos o que fazer...

E nos pregamos uma peça,
Achando que mudamos
Mas na verdade estamos sem pressa
E continuamos achando...

"Que tem sempre uma coisa no peito...
Que a gente não sabe o que é."

Rafael Nicolay

março 27, 2014

Farda manchada.

Uma luta com covardia,
A arma aponta para a cara da alegria...
Nessa terra de ninguém,
Ai de quem delatar uma "pessoa do bem".

Ai de quem levantar a bandeira,
Não aquela, com um podre verde e amarelo...
Não com uma 'merda' de Ordem e Progresso.
Mas levantar a camisa verdadeira.

Aquela toda branca, que por hora representa a paz
E amanhã? Torna-se vermelho, jaz...
Ó pátria putrefata, de tantos filhos, tu mataste bem mais de mil...
Esse é um dos lados deste rico e podre Brasil.

E a farda é usada,
Abusada e até ousada...
Que acrescenta sempre mais aos cemitérios,
Este cheiro impregnado e deletério.

Rafael Nicolay.

março 26, 2014

Sobrepor.

E era de se esperar,
Ante a intuição do poeta...
A criação de aventuras e desventuras,
Da paixão forte e desperta!

Como um leão que pondera rugir,
Tal qual é a flor no ato: "desabrochar"...
É, também, a Lua que guarda o meu sentir!
E que o seu reflexo mostre o meu caminhar.

E como numa troca singela,
Leões que rugem, flores e seu botões...
Traduz-se nessa imagem direta...
Da alegria de uma criança com alguns balões!

Balões de amor, carinho e compaixão...
Que juntos no ar tomam formas e grandes proporções,
Todos coloridos e juntos, formando um grande coração!
E apenas duas mãos para segurar tantos balões...

"Que agora estão lá no céu,
Passeando pelo ar..."

Rafael Nicolay

março 10, 2014

Aprochegue-se.

E num passo pra lá
Vem outro pra cá...
E rapidinho estamos ali,
Outrora aqui!

É um suspiro mais forte,
Um delírio do norte...
Com os teus pés no sul,
E tudo fica mais azul...

E corpo com corpo...
Rosto do lado d'outro!
Lábio com lábio,
Devaneio cálido!

E sucede assim esse bailar...
Que com uma imensa força
Aprochegou-se com o sonhar,
Nesse olhar de menina-moça...

"Que me fez avoar..."

Rafael Nicolay

fevereiro 24, 2014

Como amar...

Que a felicidade renove,
Sem a sombra da dúvida
Toda a extensão do meu ser...

Que a paz entregue,
Na relva da música,
Toda boa vibração para o viver...

Que em todo momento,
Eu possa ter sessões,
Do quanto é bom cantar...

E que a cada desalento,
Dilacerando o peito
Eu possa, com calma sarar...

Que eu acorde no dia,
Com serenidade e calmaria,
E sorria, pelo fato de amar.


"Que a cada dia, seja uma paz a almejar."

Rafael Nicolay

A pipa.

Era uma vez uma pipa
Que um poeta a levantou...
Colocou-a no ar e era linda!
Com o desenho que sempre gostou.

Levava um coração no centro...
Tinha traços e linhas como o vento!
Era rara, assim como a poesia...
Era bela e jamais cairia.

Ao menos essa era a visão
De um poeta apaixonado pelo seu coração.
E deu a linha de seu precioso carretel,
Até um dia, a pipa ficar alta no céu...

Mas em um certo momento,
A linha arrebentou...
O poeta correu e correu em desalento.
Mas a pipa voou.

"Assim como o seu coração..."


Rafael Nicolay