janeiro 14, 2017

travessa, travessia.

entender que a tristeza tá dentro
é aceitar que tudo vem do mesmo lugar
e por mais que seja lindo o fato de viver
eis que existem travessias que nos fazem sangrar

por hora, eu sei o que eu queria
e também sei o que eu preciso
mas é de tanto saber que existe sentimento
que não tem razão ou cabimento

apenas o fluir... deixar vir...
como um rio lava suas pedras
meus olhos inundam minha selva
de pele, pelos, odores e relevos

quiçá, seja nesse poema que expurgue o necessário
mas sei, em meu íntimo, do trabalho árduo e diário
cabe portanto orar... pedindo para que esvazie o peito
de tanta nostalgia, que me deixa até sem jeito...

de lidar... é quase como se autoflagelar.

R.

janeiro 10, 2017

dualidade

vem por mansidão
até que arrebenta com um estrondo
e apresenta-se como dragão
és a consciência sem sua função

com labaredas e a ferocidade em mãos
chega, portanto, em tanto, no coração
a vontade que atropela
a vaidade que nos cega

é como um trovão
que assusta os arredores
para quem não tem firmeza de seus pormenores

chega a partir das águas calmas
como a força do guerreiro que insiste em nadar
até o lado opositor do rio

e, como um réptil preciso e minucioso
atira-se em bote, rumo à presa com gosto
mas eis que as pedras rolam do céu...

e tamanho ser, desfalece-se de seu véu.
apresenta-se como força interior
há de ser domada, pelo seu próprio feitor

ante o rugido de mais um trovão
surge igual alvoroço
e a força que segura as rédeas

equilibrando a alma e o coração
respirando e respeitando
tamanho momento da revelação

trazendo luz junto com a monção.
transbordando o rio que segue sua direção
salve o guerreiro e salve o domador de seu próprio dragão.

janeiro 05, 2017

verão

tamanha era a força do vendaval
que adentrava meu peito
e expurgava todo mal...

entendido ou omisso
perante o sentimento
eis que encontro-me em semelhante momento

de tentar remover as mazelas da visão
esta, que procuro no sentido do coração
mas que como tempestades veraneias

acarretam tamanha força e titubeiam
os faladores, certos de si
e também os sofredores, aqui ou ali

por fim, tudo termina na mesma questão
o que será, deveras, dessa relação?
amor de verão ou não, assumo o agora

como solução repentina
até que se passe, a tormenta vespertina.

R.

dezembro 20, 2016

Paz indescritível

Para os torpores do mundo
Que a firmeza adentre o coração
Que a paz firme o pensamento
E o amor una as intenções

É com amor e firmeza que canto
Com certeza e humildade
Sem espanto ou vaidade
Há de nos acalmar.

Chega no mundo uma verdade
Antiga e serena
Para cada um, cada universo
Cada ser, cada sopro interno

Que nos leva e nos mostra
A caminhar com nossos irmãos
Em cada passo, não mais uma projeção
Mas a certeza simples

Que nos mostra o amor
Em tantas outras dimensões
E vai além do tempo
Para todas as direções.

Haux!

R.

dezembro 19, 2016

ópio

És carne, em delírios meus.
Adentro um campo que remete a momentos teus
Seguro de mim, incerto do amanhã
Cá estou, sentado neste divã.

Como alguém que deseja mudar
E, ao mesmo tempo, perpetuar no olhar
Para com a pessoa amada
Eis que o desejo da carne traz nova retomada

Mas será, tal desejo, satisfatório?
Em contrapartida, a plenitude de um ser ilusório?
Qual das ilusões tu não aceitas ver?
Tantas perguntas para um ser que diz crer...

Por fim, eis que a resposta reside no coração
Assim como atitudes postas em ação.
Presenteia-nos com sua sinceridade
E nos mostra quem somos, de verdade.

R.

dezembro 09, 2016

torpores.

corta, rasga, pulsa...
em carne viva... viva dor
estende-se além do pensar
em súbito turbilhão, sem parar...

tal qual o veneno bebido
eis que o ferrão se encontra em local específico
no peito, na direção do coração
mas eis que uma luz traz certa proteção

pois mesmo com toda possível dor
reside uma força imensurável no amor
que acredita em caminhar
não permitindo aos pensamentos ganhar

numa batalha invisível
quem tem amor, entrega-se ao impossível
como respirar a brisa que a força do vento traz...
é a despedida e a vinda da liberdade e da paz.

Não importa o tempo
Mas os bons momentos.

R.

novembro 14, 2016

amor próprio

eis que chega em meu peito
uma verdade plena e serena
que desmancha o preconceito
e os algozes internos perdem a cena

admira-se o Eu verdadeiro
busca-se por um conselheiro
que reside no amor
e que finda tamanha dor

de toda busca externa
para com toda vida na Terra
basta querer olhar
mas veja bem, a sinceridade há de perdurar

não existem mais dúvidas
apenas meias verdades
o coração sabe qual caminho trilhar
basta limpar a conectividade

que vem, cedo ou tarde
e nos permite tantas opções
cabe a nós, atenção
e levar o amor que quebra os grilhões

Da alma, da carne...
À vida, sem vaidade!

R.