fevereiro 03, 2016

o ele

ele quis se embebedar de certo conhecimento
estar convencido sobre sua própria sombra
estalar à mente, brilhantes soluções
murmuriar, na calada da noite, tamanhos ideais.

era assim, um destemido imprevisto
que procurava o travesseiro de quem ousasse
as longínquas questões atravessar
mas com a maior das dúvidas em mente

por um tempo, assumiu sua prepotência
partilhou dela com diversos inquilinos
até mesmo com sua família, com sua arrogância
estes, não alugariam nem o ar que passara por seus pulmões

tentava, após todos os fatos, esconder-se de si
mas como fugir de seu consciente... sabendo de sua fuga?
intencionalmente, prostrou-se e começou a expirar
expelir o que outrora lhe fora útil...

a chama incesante do saber... a sua divindade:
a razão e o coração.
quisera entender um mundo dividido...
analisou, por demais, e acabou perdido

"Entendendo, por fim, que começara a viver..."

Rafael Nicolay

janeiro 28, 2016

Projeções.

Observo o peso de minha sombra
Afinal, qual valor inteligível seria?
Relacionado à uma característica física?
Ou a mente que assombra a vida?

Adentro, dentre as salas da psique,
O armário do zelador.
E percebo que ele,
Seu cargo deixou...

Por quanto tempo ficará fora?
Deveria eu, portanto, limpar agora?
A bagunça de severos pensamentos...
Mas, não estávamos falando de peso, no momento?

Acredito que, por fim, não sei o que focar
Perdido em tamanhas projeções
O meu ser insiste em ficar...
E qual delas virá à realidade?


"Em qual delas deposito minha real necessidade?"

Rafael Nicolay

janeiro 15, 2016

Ela.

Ela que é um tanto diferente
Madura e prontamente potente
Que emoldura e cria outros Eu
Para si, com um toque do romantismo de Deus

E possui desenvoltura
Eis que percebo que és uma aventura
Que habita o meu inconsciente
E devora o meu peito ardente

É, deveras, uma maneira de aprender
Um hábito, o teu viver
Que merece admiração
Mas sei que não buscas mérito ou atenção

Dentre todas as percepções desse outro cosmos
Não muito distante estou
Explícito está, a liberdade constante
De uma essência pura e relutante

"Contra as imposições de um mundo...
Que se esqueceu de crescer e, por fim, empedrou".




Rafael Nicolay

dezembro 06, 2015

ao ato.

Eu procurei, dentre todos os textos
Olhares, emoções... Momentos
E cá estou na incapacidade de escrever

O motivo, é uma incognita que hei de conhecer...
O que mais cativa meu coração...
Fazendo ele bater, em êxtase.

Sinto, deveras, o que transparece
Como algo que adentra e dilacera meu peito
Mas quando percebo... É tarde...

Eis que estou em paz
E me tira de meu corpo...
Conecta-se com minh'alma.

O que busco e encontrei...
É o mais singelo ato de amor...
Que existe entre os lábios teus...

"És um sorriso, feito por Deus.."

Rafael Nicolay

dezembro 03, 2015

a.

A
Acabou
Acabou o poema
Acabou o poema que eu queria
Acabou o poema que eu queria escrever
Acabou o poema que eu queria escrever com palavras,
Acabou o poema que eu queria escrever com palavras, repetidas demais.

novembro 27, 2015

"amigos"

era o dito pelo omisso
a vontade pelo submisso
o entretenimento pelo vício

de tentar agradar, mas a quem?
sujeitar-se a vontades, mas de quem?
afinal, existe o abuso, mas por quem?

de tudo o que fica nas entrelinhas
amigo é quem traduz os pormenores
e deixa o secreto para o passado dos dias piores.

fica, assim, pedindo voz
aquela vontade atenuada
a verdade que jazia calada...

"Até os dias atuais...
Amigos secretos? Jamais."

novembro 25, 2015

amor_pt.2

Amo o poema
Ante ao poeta 
Que recita a poesia 

E proclama os versos 
Com um ar de maresia 
E um quê apaixonado 

De amor com nostalgia 
Do novo que anseia por viver 
E do velho que se permite transcender...

Entendo o amor como algo sem medidas 
Quiçá, compreenda todas as galáxias, ao final 
E abrace todos os poetas, poemas e poesias... 

"Afinal, amar, dentre todas as hipóteses, é um ato universal..."

Rafael Nicolay