setembro 13, 2016

retorno

me aprochego de tua essência
pois foi assim que vim
sem máscaras.. apenas os pensamentos sobre o que sou

o não levantar do falso testemunho
que se desdobra e ecoa por todas as partes de mim
fragmentado estou, mas em comunhão ascendo.

talvez fosse assim, o ato de nos descobrirmos
e que a recolha de fatos seja a vontade de prosseguir
de liberdade, de estarmos juntos aqui e ali

não há, de forma alguma
amor fardado.
há amor, almado.

com amor,
R.

setembro 12, 2016

palavras..

era tarde do dia e antes da noite chegar
nuvens pairavam sobre a cidade
a certeza de que um dia nublado e cinza surgiria no exterior

estava prostrado, exatamente as 3:29 do tempo
do dia e do momento em que resolvera escrever
seu íntimo sem muito o que falar neste e naquele espaço

estava cinza, com sua xícara de chá vazia e a ânsia pelo demasio do café
sentia-se prostrado à sua própria experiência e aceitava o fato
de não querer mais exercer sua função e viver no âmago de suas conjecturas

achava-se inteligente por saber conversar, as vezes, com sua alma
mas ao mesmo tempo, perdia-se para os devaneios mundanos
estava ali, externalizando tudo na sequência de palavras de seu consciente

estava... deixou elas guardadas para mudar, uma vez mais.


R.

setembro 08, 2016

ansiedades, verdades.

Por anos aceitou um fardo inconsciente
E caminhava de forma crente e descrente
Não entendia o seu desesperar diante das oscilações
Era prisioneiro da sua consciência com vãs alegações

Acreditara que o mundo era apenas o seu ninho
E percebeu que, deveras, o mundo é um moinho
E que todo o fardo há de se mostrar
Como uma maneira diferente para se abraçar

A verdade, ou uma delas,
Consiste na vaidade que submetemo-nos perante a Ela
Que nos emoldura como bem entender
E nos cria uma certa anseio pelo viver.

O poeta ainda aparenta ser idêntico ao que fora outrora
Mas surge novamente a luz do que precisa jogar fora
E entender, por vezes, que não lhe cabe aceitar
Fardo algum quando o quesito é amar.


R.

agosto 19, 2016

entendido?

Eu queria entender a tal paciência,
Busco e vejo tantos outros afirmarem tê-la encontrado
Mas o que será, que em todo esse caminho, estou fazendo errado?
Talvez eu esteja olhando para um horizonte em divergência

Com o Eu que quer, anseia tão solenemente por tal encontro,
Ao mesmo tempo que esse ser entende que a vida é composta por outros pontos
E que o mundo gira, no tempo necessário...
És como a deriva da vida, num loop imaginário.

Portanto, cabe a quem quiser...
Tamanho esforço para essa busca
Que intermitente se apresenta
E quando aparenta estar perto dos olhos, ofusca

Assim, vou seguindo na tentativa de entender
O paradoxo que habita o meu viver
Mas que de rimas pobres, canta! Todas as noites.
E de velhos hobbies, acaba aceitando o tempo do acoite...

"Paciência..."

R.

agosto 14, 2016

um pouco sobre o agora.

Arde no peito a vontade
De mudança, de revolta, de esperança
Cabe nas mãos a vaidade
De quem quer se despir, viver e se unir.

Adentra a mente, em lentidão
A percepção de eventos
A válvula que transmuta o Eu
Para outros acontecimentos.

Presos à carne, ao pecado original
Caem em prantos, como algo terminal
Ante ao indagar da verdade
Tal qual a passagem da matéria ante a viagem.

De onde vamos para o que somos,
Do que eternizamos para o que deixamos
De fato, o outrora não existe e permanecemos presos
Ao nos esquecer que o agora é tudo o que Ele disse.


"Indagações, movimentos, sinais, desejos..."

R.

julho 03, 2016

aqui, agora.

Foi como a maior iluminação
De dois corpos em existência
Na mais pura essência
Do que a matéria pode exibir

Era o ponto de transição
Para a transcendência da visão
Para um amanhã de coração
À toda bondade do porvir.

R.

julho 02, 2016

novos pontos

E eis que chega o momento
Em que todo homem vai perceber
Com claridade divina
O que deve escolher

Para crescer e cultivar,
Permitir germinar
O bom ou mau que habita em nós
Que mora em nossos lençóis

Nós, mais que habituados
O que coabita nem sempre é julgado
Mas de forma alguma, estes versos são sobre uma escuridão
Representam, deveras, o olhar para iluminação

Eis que cá estou, num despertar para minha solução
No adentrar na memória quanto ao hábito
Percebendo que atos são diferentes e ocultos fatos.
Por fim, o recomeço é ponto que resultou...

Do observar da vida e do restar que sou.

Rafael Nicolay