maio 11, 2016

o fosso.

é uma insegurança
como a de outrora
só que agora
muito mais forte para que qualquer fiança

possa pagar
ou que qualquer retrato possa apagar
é o Eu inseguro
que não há de refletir o meu futuro

pois é o preço de todo lado interior
quando revelado à mente de seu receptor
a linha tênue entre um bom
e a mais densa depressão

do ser, da alma, do estar
que anseia por um colo ante ao choro
e pensa nas voltas do mundo ante ao consolo
mas que luta pela paciência de um amanhã chegar...


Rafael Nicolay.

abril 01, 2016

o inseguro.

fora inseguro por uma vida
quisera, dentre sua introspecção, viver
duas ou mais, de forma destemida
ficara no pensar e deixara de explicitar...

a fraqueza que vem do silêncio
a fala interna e desesperada
e o achar exacerbado
do outro que pode nos dar um julgo errado

há, mais do que tudo, uma força no ar
que independe de onde se está
e muito menos do auto-afirmar
ou do medo que existe ao olhar...

e existe, além disso, uma solução
que nos foi tomada sem a passagem por tamanha pregação
a qual está intrínseca à carne e à percepção
que é o ato de entendermos uns aos outros como irmãos.

e que isso independe de religião
quando a ação requer o amor e a comunhão.


Rafael Nicolay.

março 23, 2016

verdades

não vem... não...
a inspiração perfeita
a simetria bem feita
entre os versos e os acasos

dentre os cânticos e os aplausos
fica um quê de mistério... será verdadeiro?
e a reposta reside no palco
no coração de quem realizou tamanho espetáculo

e neste mundano coração
habita também a tua imagem e sensação
que irradia todo o meu ser
que ilumina o meu viver

sobre as verdades que existem
eis que a vida revelou uma a mais
com um singelo pique
entre o pega de corações em paz...

"A verdade que nos diz:
Eu amo. Tu amais.".

Rafael Nicolay

março 02, 2016

re-viva

a vida é um ato de rebeldia
contra as marés universais
vide a entropia
entenda a sinergia...

eis que um dia a casa cai
a flor renasce
o amor se esvai...
mas o que fica?

a ganância?
o materialismo empregado?
quantos bens conquistados?
ou o humanismo passado?

transcende, por fim
relute, por ti
respire por nós...
jamais estarás à sós!

"Reviva, enfim..."

Rafael Nicolay

fevereiro 03, 2016

o ele

ele quis se embebedar de certo conhecimento
estar convencido sobre sua própria sombra
estalar à mente, brilhantes soluções
murmuriar, na calada da noite, tamanhos ideais.

era assim, um destemido imprevisto
que procurava o travesseiro de quem ousasse
as longínquas questões atravessar
mas com a maior das dúvidas em mente

por um tempo, assumiu sua prepotência
partilhou dela com diversos inquilinos
até mesmo com sua família, com sua arrogância
estes, não alugariam nem o ar que passara por seus pulmões

tentava, após todos os fatos, esconder-se de si
mas como fugir de seu consciente... sabendo de sua fuga?
intencionalmente, prostrou-se e começou a expirar
expelir o que outrora lhe fora útil...

a chama incesante do saber... a sua divindade:
a razão e o coração.
quisera entender um mundo dividido...
analisou, por demais, e acabou perdido

"Entendendo, por fim, que começara a viver..."

Rafael Nicolay

janeiro 28, 2016

Projeções.

Observo o peso de minha sombra
Afinal, qual valor inteligível seria?
Relacionado à uma característica física?
Ou a mente que assombra a vida?

Adentro, dentre as salas da psique,
O armário do zelador.
E percebo que ele,
Seu cargo deixou...

Por quanto tempo ficará fora?
Deveria eu, portanto, limpar agora?
A bagunça de severos pensamentos...
Mas, não estávamos falando de peso, no momento?

Acredito que, por fim, não sei o que focar
Perdido em tamanhas projeções
O meu ser insiste em ficar...
E qual delas virá à realidade?


"Em qual delas deposito minha real necessidade?"

Rafael Nicolay

janeiro 15, 2016

Ela.

Ela que é um tanto diferente
Madura e prontamente potente
Que emoldura e cria outros Eu
Para si, com um toque do romantismo de Deus

E possui desenvoltura
Eis que percebo que és uma aventura
Que habita o meu inconsciente
E devora o meu peito ardente

É, deveras, uma maneira de aprender
Um hábito, o teu viver
Que merece admiração
Mas sei que não buscas mérito ou atenção

Dentre todas as percepções desse outro cosmos
Não muito distante estou
Explícito está, a liberdade constante
De uma essência pura e relutante

"Contra as imposições de um mundo...
Que se esqueceu de crescer e, por fim, empedrou".




Rafael Nicolay