junho 27, 2016

claridão_

Eu serei bem claro.
É amor... É do amor que preciso.
Sem confusão ou qualquer palavra omissa
É disso, sei que é!

E sem tantas entrelinhas
Mas que tenha aquela tal percepção da linha
Que tudo é mágica e sempre será
Mas não, nada de ilusão!

Aqui, neste momento, penso eu
Ilusão é estar imaginando o que sucedeu
A essa troca intensa de ser e estar.
Temos muito chão pra caminhar!

Ousadia? Seria omitir tamanha verdade
Que do amor, a gente faz sem vaidade
Pra um cado cá e lá
Até a hora de escovar...

"Os dentes, num mesmo banheiro, um mesmo lugar"

Rafael Nicolay

junho 21, 2016

prostração.

Começo a despir-me
De tudo que emoldura a alma
E que, ao passar das primaveras,
Me comove e retira-me da calma.

Como o ato de navegar,
Tal qual o de ser e estar...
Mas o que sou? Pra onde vou?
Cabe a mim, saber da direção?

Se tudo o que vejo anda em contra mão,
O que anseio pode ser o veto de minha condição...
A libertação do cárcere da mente,
Para afunilar, estreitar, os laços da emoção.

Esta que consola meu choro seco,
E que ao estado de bom senso, permaneço.
Quiçá, saberei mais das dúvidas do amanhã...
E por hora, contento-me com minha consciência sã.

Será esse o meu novo amanhã?

maio 11, 2016

o fosso.

é uma insegurança
como a de outrora
só que agora
muito mais forte para que qualquer fiança

possa pagar
ou que qualquer retrato possa apagar
é o Eu inseguro
que não há de refletir o meu futuro

pois é o preço de todo lado interior
quando revelado à mente de seu receptor
a linha tênue entre um bom
e a mais densa depressão

do ser, da alma, do estar
que anseia por um colo ante ao choro
e pensa nas voltas do mundo ante ao consolo
mas que luta pela paciência de um amanhã chegar...


Rafael Nicolay.

abril 01, 2016

o inseguro.

fora inseguro por uma vida
quisera, dentre sua introspecção, viver
duas ou mais, de forma destemida
ficara no pensar e deixara de explicitar...

a fraqueza que vem do silêncio
a fala interna e desesperada
e o achar exacerbado
do outro que pode nos dar um julgo errado

há, mais do que tudo, uma força no ar
que independe de onde se está
e muito menos do auto-afirmar
ou do medo que existe ao olhar...

e existe, além disso, uma solução
que nos foi tomada sem a passagem por tamanha pregação
a qual está intrínseca à carne e à percepção
que é o ato de entendermos uns aos outros como irmãos.

e que isso independe de religião
quando a ação requer o amor e a comunhão.


Rafael Nicolay.

março 23, 2016

verdades

não vem... não...
a inspiração perfeita
a simetria bem feita
entre os versos e os acasos

dentre os cânticos e os aplausos
fica um quê de mistério... será verdadeiro?
e a reposta reside no palco
no coração de quem realizou tamanho espetáculo

e neste mundano coração
habita também a tua imagem e sensação
que irradia todo o meu ser
que ilumina o meu viver

sobre as verdades que existem
eis que a vida revelou uma a mais
com um singelo pique
entre o pega de corações em paz...

"A verdade que nos diz:
Eu amo. Tu amais.".

Rafael Nicolay

março 02, 2016

re-viva

a vida é um ato de rebeldia
contra as marés universais
vide a entropia
entenda a sinergia...

eis que um dia a casa cai
a flor renasce
o amor se esvai...
mas o que fica?

a ganância?
o materialismo empregado?
quantos bens conquistados?
ou o humanismo passado?

transcende, por fim
relute, por ti
respire por nós...
jamais estarás à sós!

"Reviva, enfim..."

Rafael Nicolay

fevereiro 03, 2016

o ele

ele quis se embebedar de certo conhecimento
estar convencido sobre sua própria sombra
estalar à mente, brilhantes soluções
murmuriar, na calada da noite, tamanhos ideais.

era assim, um destemido imprevisto
que procurava o travesseiro de quem ousasse
as longínquas questões atravessar
mas com a maior das dúvidas em mente

por um tempo, assumiu sua prepotência
partilhou dela com diversos inquilinos
até mesmo com sua família, com sua arrogância
estes, não alugariam nem o ar que passara por seus pulmões

tentava, após todos os fatos, esconder-se de si
mas como fugir de seu consciente... sabendo de sua fuga?
intencionalmente, prostrou-se e começou a expirar
expelir o que outrora lhe fora útil...

a chama incesante do saber... a sua divindade:
a razão e o coração.
quisera entender um mundo dividido...
analisou, por demais, e acabou perdido

"Entendendo, por fim, que começara a viver..."

Rafael Nicolay