maio 22, 2017

broken glass

sobre os dias quando o melhor
está no simples respirar e agir com calma
entendendo e vivendo o necessário
por um dia que seja

percebendo que a cada dia
damos um passo,
seja com a esquerda ou a direita
ao final, tentamos nos equilibrar...

mesmo que não consigamos
estamos diante desse momento de fôlego
e com ele, devemos respeitar
o que somos e onde devemos chegar

em súbito estalo,
tudo o que se sente vem à superfície
e mesmo no caos
o amor resiste

então, aqui deixo meus votos de amor
próprio, sem culpa, sincero e sereno
que não cabe julgamentos
apenas a magia deste momento

parte à parte,
do todo que é viver.

R.

maio 20, 2017

zelo

eu tenho zelo...
e agora percebo o panorama inteiro
que reflete o amor
por este simplório companheiro

na atitude de se desprender
percebo o infinito renascer
e curar antigas mazelas
quiçá o anúncio da nova era

em meu coração,
que transborda esta alegria
percebo as entrelinhas desta poesia
bem além do meu querer

é a beleza do não ser
pertencendo à unidade
e magia de viver
junto a esta irmandade

e com amor, percebo o que sou
continuando a caminhar
é a hora de me firmar
e assim entender mais...

sobre esta missão
e edificar com certeza e humildade
os ensinamentos desta sessão
nos caminhos da verdade.

R.

maio 18, 2017

curai-me

é de cura que necessito
nos meus mais íntimos devaneios
ao alimentar o que sinto
preciso, deveras, de conserto.

mas sei que isso depende das minhas ações
e a cautela com que passo por palavras
disciplina e humildade
perante a humilhação de quando eu chorava

ante a perceber toda a beleza no mundo
e estagnar neste ciclo inóspito
podes pensar que estou louco
e afirmo que é verdade, porquanto ignoro

esses detalhes ínfimos
mas que desbancam sistemas inteiros
e eu, incrédulo, esperançoso
acreditei no sentimento ilusório como verdadeiro

me perdoem as palavras
de fato, em demasia
sou um ser prolixo
e devo conter minha própria dramaturgia

por fim, entendo
que a cura é novamente um adeus
que seja definitivo
pois sei o que o passado já me deu...

lembranças boas demais
para querer chorar.

R.

maio 17, 2017

a caverna

Eu andei por tantos vales
E caminhei rumo a esta caverna
Ali encontrei uma charada
Que abria a porta à luz de velas

"Quem aqui entrar
Não basta o seu querer
Deve se entregar
E esquecer-se de você"

Assim permaneci
Acampado em minha consciência
Tentando resolver
A charada com minha vaga ciência

Percebi a fome
E a sede chegarem.
Senti o frio da noite
E os medos entrarem

Mas busquei a coragem
E com o resto das forças
Sobrou a saudade
De quem uma vez fui

E de quem conheci
Cada pedacinho de memória
Que ali precisava
Deixar ir

Amanheceu um Sol dourado
E cansado me vi esmorecer
E sem forças para voltar
Supliquei por este conhecer

A caverna estremeceu
E gotas caíam de seu teto
Tentei levantar-me
E repentinamente, me vi coberto

Com toda a bagagem que acumulei
As verdades que eu mesmo criei
E vi o quão efêmero era esta concepção
Aflito, ali estava, em plena desilusão

Em algum momento
Perdi noção de minha memória
A cognição falha
Já não recordava minha própria história

E mais uma vez tudo estremeceu
Eu, com medo, tentei me agarrar
Às paredes que criei
E pedia por alguém para me salvar

Quando dei por mim
Num lapso de sentido
Não havia mais a grande porta
E apenas um caminho

Que trilhei
Com meu trêmulo andar
Mas aguentei
A falta do peso, por ali estar

Descendo e subindo
Pela longínqua passagem
Adentrei uma saída sorrindo
Pois só possuía uma verdade

E ali pude compreender
Os meros títulos que carreguei
O abandono de si
E a salvação que tanto clamei

Por fim, atônito, encontrei uma fonte
Bebi com tamanho cuidado
E assim lavei minha fronte

Respirei aquele ar profundo
Que clareou minhas profundezas
Sabia, naquele instante,
Que havia encontrado a minha firmeza

Descansei mais um pouco
E me vi alimentado
Não sabia onde estava
Mas sabia qual era o meu estado

E enfim despertei
Na porta da caverna
Renovei-me por inteiro
Cada célula interna.

Tornei a caminhar pela trilha que escolhi
Deveras, não sei onde vou chegar
Mas sei como quero ir.

R.

maio 15, 2017

alvorecer

Esta união chegou
E aqui vem ensinar
Os versos que do astral captou
Para mente aqui trabalhar

És sereno e muito humilde
Este pedido que entrego em mãos
Aceitando todo porvir
No movimento da criação

Criatura respire e voe
Os teus mares estão à esperar
És a chamada da nova aurora
E aqui a mensagem está

Amanheça com simplicidade
Escute o canto da verdade
Não temas, pois é teu destino
E agora começa o caminho

De braços abertos estou
Com o coração bem renovado
Me mostre por onde seguir
À certeza de meu Pai amado

E trilhar eu irei com muito cuidado
Semeando o que Tu me ensinastes
Pois sei que os frutos trarão
A paz nesta realidade.

Segues o teu coração
Pois ali permeia a leveza da visão
Que enxerga a tua própria essência
E demonstra a época da tua renascença

Perante a este novo alvorecer...

R.

maio 14, 2017

cruzamento

era uma vez... uma menina
de olhos castanhos e sorriso encantador
ela segurava e tentava entender
os pormenores do seu interior

ela se fez forte, perante as mudanças imprevisíveis da vida
e começou a ampliar os seus horizontes
pelo fato de andar, deveras, sozinha
caminhando rumo ao que acreditava como correto

e percebeu que o mundo é muito maior que um ciclo esférico
rompeu com suas mazelas
foi além de suas sequelas
e percebeu que o melhor remédio, a cura, era se amar

esta menina, mulher, feminina
inspira os aprendizes meninos-homens
mas, precisamente, a mim...
por me permitir instantes desse seu olhar

e mesmo que a arte fosse sua maior alegria
não fui eu o privilegiado de suas escritas e poesias
mas ganhei um presente maior...
o convívio com a verdade impossível

repleta de rotas e trajetos
e do acesso ao, antes, inacessível
por quantos segundos de coragem precisar
o mundo é a nossa morada, o nosso lar...

e possuímos o privilégio de podê-lo explorar...

R.

maio 12, 2017

meu sentido

É definitiva a decisão
Deste mergulho rumo ao coração
Em meio ao ciclo do pensamento
Peço humildade e entendimento

Que eu saiba onde pisar
E conheça o meu próprio caminhar
Nos Teus braços peço alento
E com o Teu manto, agasalho para este vento

Que vem das minhas profundezas
E à essa luz, peço mais clareza
Para entender o abrir e fechar de portas
De todos os cantos da minha memória

O rompimento necessário
À lição aprendida no meu próprio calvário
Estamos perante a expiação
E clamamos por nossa própria salvação

É com a gratidão da consciência
Que regojizamos nesta ciência
Não consistente no eterno martírio
Mas à compreensão do motivo de nosso aflito

Basta-me deixar o tempo agir
E não estagnar perante ao que venho sentir
Pedir perdão e força no meu coração
Unindo mãos e ajoelhando perante a Ti

Ó minha Mãe, me ensine o porquê do sofrer
Sem que eu fique à ruir
E me conceda o conhecimento de minha própria humilhação
Parar firmar meu passo nessa longínqua missão.

Que me destes, junto com estas vestes
Atemporais.

R.

maio 11, 2017

Álbum

Envolve-me nos teus devaneios
Respira, ofegante, tua alma em meu ouvido
Abraça-me com o coração
E recitamos, unidos, está canção.

Sou constelação e sem pudor,
Entrego-te meu cerne, por amor
Liberdade das atitudes matinais
Compartilhamos o café, após observar os corpos celestiais

Somos da galáxia,
Orbitando um no outro
Sou meteoro em rota de colisão
Com o teu Eu, aqui, exposto

Somos atitudes e vontades não caladas,
Minutos silenciosos com as mais belas palavras
Sons orgânicos, sons de um amor
Entrelaçados quânticos...

Música e compositor...

R.

maio 10, 2017

caos interior

manifesto-me em meu próprio caos
entendo, realmente, qual é o meu estado natural
e como ocorre sua mudança para onde me encontro
inóspito, não obstante, este desencanto

sendo andarilho de minhas próprias linhas
escritor das andanças internas
sou observador e observatório
sou o pudor e sua ausência, num mundo notório

e qual máscara insiste em grudar?
enquanto outra resolve cair e se fragmentar
assumo que a verdade independe delas
ou talvez seja a mais intensa e a mais velha

porém, nesse momento de observador
prescrevo minha própria receita
onde é a busca pelo estado de calma
e o reencontro com a informação divina, em minh'alma.

somos mais ante a confusões
além de ilusórias resoluções
a teia da vida nos lembra
e nosso destino, despercebido, encena

conosco...

R.

maio 09, 2017

reciclagem

o corpo e sua energia vital
que é gerada desde o seu nascimento
em comunhão com toda vida aqui e no astral
requer tamanho ponderamento

o que transforma-se
perante a elevação de dois seres
dissipado é, em busca dos efêmeros prazeres
energia doada, vida criada?

adentro o meu ser em busca de respostas
retorno, de forma breve,
com explicações expostas
mediante ao poder que nos é dado para criação

de outro ser, vindouro, à gestação
o que doo? me perdoo?
sem a culpa de entender
o que se passa dentro do meu querer

és solução passageira
e a verdade, serena e brilhante
reluz perante a vibração do interno diamante
incitado nos ápices de nossa essência

falta-me resiliência

R.

maio 04, 2017

lar

não vale a lágrima
ou o arrependimento...
não vale a intenção
presente no calor do momento.

no fundo, estamos todos na mesma prisão
tentando saber quando chegará a liberdade
talvez seja uma mera ilusão
ou tudo verdade

mas no caminho do amor
existe o ardor de tentar se equilibrar
e nos solavancos das situações
não se pode, as vezes, pensar em chorar

o raio caiu
mais de uma vez neste ponto
o ímpeto surgiu
mas nada foi feito perante a esse encontro

porque não cabe levantar suas armas
para quem não conhece, deveras, a forma que luta
e não faça disso as tuas próprias chagas
pois é com a oração que se vence essa disputa

onde quem triunfa não somos nós, materializados
mas o sentido maior, a evolução e o santificado

canso-me de tantas palavras
deixo-me aos pés do relento
o que quero, é colo
o que preciso, é entendimento.

R.

maio 02, 2017

despedida

desprendo-me de vez
num ímpeto de dor
vasculho as origens físicas
excluo as memórias além da mente

deixo à matéria,
o ato da ação
e ao tempo
a minha devoção

esta dor, não mais
este torpor
não agrada-me
revisitar-te

insisto em criar uma mínima esperança
com o intuito de amizade e bonança
mas o tempo não é o agora
este, ruma para aurora

do meu próprio coração
que ainda, costurado
goteja
e esta remota dor,
lateja.

deixo fluir, deixo sair
peço com o coração
ajoelho-me perante a verdade
peço ajuda para lidar com esta ilusão

de passado não se cria o agora
apenas aconselha o porvir, outrora
destas palavras, deixo meu mais sincero obrigado
mais uma vez, sincero, sem ser por agrado

para tudo o que foi
para que o novo possa florescer
esta é a semente que planto
este é meu desejo em pranto

não o de esquecer,
mas de lembrar, sem doer.

R.

abril 30, 2017

mudanças

perdão
por usar em demasia as palavras
por insistir nos hábitos quando a mudança é como a flecha
e foi disparada iluminando o céu

chegando a os olhos de todos
apontando às estrelas
mostrando a mansidão serena
presente em todo o universo

que meus olhos possam ser o telescópio
visando o amor
e entendendo o tamanho esplendor
com serenidade e seriedade

como o canto de toda natureza
que representa a eterna beleza
da união de dois corpos em ascensão
para a criação da vida

és deveras um desafio
entender que o peso que sentimos
vem dos nossos efêmeros encantos
para suprir nossa vaidade

e cá estou, neste muro que edifiquei
procurando a solução que eu mesmo sei
mas que, por descuido e desculpas,
mantenho como própria lei

tudo há de se resolver
quando eu mesmo perceber
que o momento é agora
e que a mudança não vem mesmo de fora

perdoa-me

R.

abril 28, 2017

vigília

É preciso clamar
É preciso rezar
Acender a fogueira
Sinalizar ao irmão

O castelo de portas abertas
O dragão que adentra pela brecha
De onde se menos espera
Eis que nasce a rebeldia

Ou se desenvolve por teimosia
Com o intuito do Sagrado
Ou a desculpa para o ato falho
A sutileza sai de cena

O guerreiro levanta sua espada
Perante sua própria armada
E insiste em trilhar seu rumo
Mas agora, com nova montaria

Flechas são atiradas
Mas não em sua direção
São incandescidas
Para acender as fogueiras da vigília

A guerra é interna
E o soldado se esgoela
Mas o seu coração ainda dói
E a verdade, que outrora lhe inspirava, agora o corrói

Ó bravo caminhante
Não deixes de se lembrar, por um só instante
Que a efemeridade da vida
Depende mais dos passos que podemos dar

Do que esticar as pernas perante ao achismo do que cremos alcançar...

É paradoxal, pois a fé nos ensina a crer no impossível
Mas de que lado do muro queremos saltar?
Por fim, volto a clamar...
Por ti, por mim, por nós...

E a Vós, peço a guia e sabedoria
Para contra todo tipo de magia
Que não venha do coração
Mas sim por intenção.

E na Verdade tudo será desfeito
Pelo Pai Criador e o seu verdadeiro seguidor
Justiceiro Celestial
Que empunha sua espada de flama azul

Salve-nos, redima-nos, eleve-nos.

Por amor,
Com amor,
É amor.



R.

há leveza

esse bailado que se tem uma música
declarada como vida
recitada a todos os cantos
para os poetas, sereias, marinheiros e praianos

reverbera na grande teia que nos liga
um pingo bate aqui, outro sente ali
um canta lá, outro respira cá
outrora voa, outrora agora

somos passageiros dessa embarcação
que vai rumo ao mar da mansidão
e o vento vem, as ondas vão
eu sigo aqui, com caneta e papel em mãos

e procuro escrever, ajudar, rir, pular
poetizar os pormenores do que sinto
do presente que recebo
de Deus, do ar,
da Terra, dos Orixás

das cachoeiras, matas, montanhas
dos pássaros, das plantas
da nossa mãe, da divina Rainha do Mar
Eê, Iemanjá.

R.

abril 25, 2017

e s p a ç o

espaço
e s p a ç a d o, necessário
devido e puro, justo
verdadeiro

coeso para a ideia que precisa de tempo
espaço-tempo
atemporal
meditativo, racional

mas mais que isso
o, sempre, espaço
é emocional,
transversal e direcional.

escolha tua vertente
o vento sopra na mente
cabe agora, saber respirar
espaço para se afastar

e abraçar outra vez.

R.

abril 24, 2017

Ogum, Cavaleiro Divino

Salve o Cavaleiro
Que veio balançar o mundo
E balança aqui neste terreiro
A prova do amor profundo

Com sua lança, abre os caminhos
Com a sua força, toca os sinos
É a cavalaria celestial
Nos dando força contra todo tipo de mal

Salve a esperança!
Salve o brasão de Jorge!
E a sua luz para com toda a humanidade

Os caminhos abertos estão
Não esqueça-se da verdade que habitas em ti
E assim saberás como domar o teu dragão

Salve Jorge,
Da Capadócia!

R.

abril 17, 2017

orbitando

estou em órbita
sinto meu corpo ser puxado à favor de um tipo de força
sei que o desconhecimento desse estado é o que me fascina
mas dar luz a isso, pode ser, uma resposta à sua existência

levito,
na presença de uma leve força gravitacional
assemelha-se ao fundo de um oceano
deveras, particular
e com tamanhas peculiaridades

aos poucos, as luzes que cintilam
demosntram partes de minha memória mundana
e meu ego, na ausência de qualquer ponto de partida
agarra-se saudosista à momentos de temporalidade distinta

sei que tudo ocorre nessa existência
eu, enquanto carnal, flutuo
no oceano de fatos que minha pequena memória consegue
por lapsos, compreender

retorno ao eixo, recuperando o fôlego
cheguei novamente a superfície
e a cada mergulho, um novo pedaço de mim, revela-se.
e em todo segundo, a noção do eu se torna etérea.

somos viajantes
rumo a constelação inata
ou à porta intacta
que habita no cerne de nós.

R.

abril 15, 2017

regeneração

Nasce, em momento oportuno
uma força preponderante sobre todo o meu ser
À ascensão de todo este poder
traduzido na mais simples e profunda palavra

És perante ao sacrifício,
seja qualquer o ofício,
Que este mais belo poder nos traz
uma de suas ramificações, definida como a paz

E este sentimento, crescente em constância
nos mostra a tamanha bonança
De nosso Pai criador,
também, que em todos os momentos é o nosso redentor

Em suas linhas complexas
a simplicidade é o que penetra nesta aresta
E ensina-nos o mais precioso entendimento
que nos sustenta no breve momento

Que chamamos de vida...

E, caro leitor,
nestas palavras simples e talvez desconexas,
espero que fique claro a raiz de toda bondade...

Que em palavras, é o anagrama do local de sua demonstração
E em tradução, é a verdade e o caminho que, deveras, é por opção.

amor

R.

abril 12, 2017

Da vida.

Ó Aurora!
Tu, a mais linda das flores
Que encanta os ouvidos com suas cores
E nos mostra o valor para com nossos amores!

Sois luz, que ilumina não só a minha
Mas coloca a consciência à escuridão
Da união entre as forças da floresta
Nos ensina como és bela a tua orquestra

E guia-nos perante à ilusão
Nos emociona e saudosistas ficamos
Ao retorno para tua mansão
Que suas paredes, feitas de amor

Tal qual o Mestre lhes ensinou
Só posso chorar e agradecer
Pelo momento do meu viver
E quiçá tentar fazer

Aos poucos, minhas preces,
Trabalhar com o que tenho e sou
À limpar estas vestes
E não me esquecer de olhar pro céu

Tal qual a boreau,
Que nos acompanha rumo ao véu
E retira-nos da dúvida,
Permanecendo a certeza no coração

Somos luz
e iluminamos a escuridão.
E assim louvamos para sempre
o mistério da criação.

Com amor,
R.

abril 11, 2017

o que nos resta... viver.

é um resto de toco
um tanto sozinho

e também é a talhadeira
a hora de retirar a casca velha
e jogar na peneira
resgatar em nós, o que nos resta

é amor, é com dor?
sofrimento?
eis o mais solene dos momentos
aquele que antecede a transformação

é a renovação da alma
quando se olha pro coração
atinge certeiro com sua flecha
e nos diz que fugir não é a festa

que sempre achamos como solução
olhar pra dentro, bem lá dentro meu irmão.
e assim, talvez, perceba os fragmentos
que rodeiam os teus lados

tu, de pé, estás nesse cubo orquestrado
talvez, por tua própria mente
ou por um estado, há tempos, dormente
és a hora de se libertar

e olhar para a raiz que insiste em ficar
talvez sua retirada seja sofrida
quiçá a jornada mais difícil da tua vida
mas aceite ela com o teu coração...

assim, como hipótese do que sou,
encontrarás algum tipo de salvação
se não a tua própria
para com tudo que fizeste uma proposta

e peregrina, andarilho do mundo
estás na matéria por um mistério profundo
e a verdade, só saberás ao final da jornada
por hora, dê atenção a tua caminhada.

R.

abril 06, 2017

salve Oxum, salve a Rainha do Mar!

eu ganho abraço enquanto canto ao louvar quem me encanta quem me dá forças para continuar e quem, de alegria, me faz chorar seja na beira do rio ou na beiramar eu sei que vou continuar essa trajetória incerta para chegar na verdade aberta ao coração lavado a alma renovada o sal é jogado... e as ondas levam o mal olhado limpeza, leveza, firmeza! eu oro, eu canto, eu choro! eu peço humildade pois é só com amor, que se conhece esse tipo de bondade e só sendo humilde... para navegar neste barco da verdade salve mamãe Oxum! salve a Rainha do Mar, Odoyá!

R.

abril 03, 2017

ama à Deus.

falo do que vejo
percebo em minhas entranhas o desejo
e não sei a melhor forma de corroborar
o que vivo, estudo e o que procuro ao caminhar

de tamanha teoria, vejo que não a possuo
pela falta de uma compreensão
ou de tentativa em ler as escrituras de um irmão
que se fez presente e para sempre está

é também pai, aonde quer que eu vá
e eu como filho, perdido em minha ilusão
reluto em aceitar o caminho dá visão
que é demonstrada na mais bela das gargalhadas

há, porém, um porquê simétrico
de submeter-me a tantos pensamentos poéticos
mas de rima, faz-se um quarto do dia
seu restante é dança e a recitação mais leve de qualquer poesia

que seria de mim, ingênuo ser
se não pudesse admirar o espelho que reflete o meu querer
e assim, tentar das artimanhas do meu ego
enganar minha própria mente em um mundo cego

talvez, seja mais uma mentira que insisto em recontar
e por tanto dizer, acabo por me enlaçar
mas tolo, sim, eu mesmo, o poeta
percebo que para este presente não possuo uma festa

quiçá, a escrita de uma partitura divina
em remissão aos tantos pecados que o meu Eu continha
e mantém... na mais bela forma de se tornar refém

daquilo que me enriquece,
em contrapartida ao que literalmente remete...

pois bem, meus irmãos...
de que adianta o conhecimento sem razão
ou sua reprodutibilidade sem o Todo resplendor...

para muitos, para mim, ser ignóbil.
é a singela falta de amor...

mútuo,
próprio.

R.

abril 01, 2017

o mundo

o mundo a tua volta
possui tantas forças e grandezas
e és lindo como o sopro do vento
e o canto das aves-marinheiras

és o local em que tua matéria repousa
e o ninho para o verso à sua volta
seria a revelação? mas de onde vens?
percorre os vales e matas... Tuas florestas!

e acompanha a junção das águas
com a imensidão do mar
és a mais bela de todas as festas!

e todo povo surge neste novo lar
e de amor, seus ninhos passam a regojizar
para com o todo, avoar.

aqui, lá e em qualquer ser-estar.

R.

março 29, 2017

amor, amor!

uma vez o pai falou ao seu menino:
não esqueças da criança que sempre te acompanhará
ela será como o seu próprio mestre e te guiará
perante aos desafios dessa peregrinação da vida

saibas sobre o eterno retorno
a esse ponto de leve conforto
que, de ilusão, nada tem
e é passageiro, pois a vida nos mantém

para com o foco do aqui e agora
se permitires não se iludir com o que está fora
e isso vale para todo e qualquer conhecimento
és a firmeza que habita em seu coração nas turbulências inevitáveis

saberás, com o caminho
que o equilíbrio é um estado de ser
e entenderás que de tantas possibilidades
o teu coração é quem dita tuas leis

e engana-se, por pensar que do coração parte somente tua vontade
se não, também, a verdade para com toda a eternidade
ele é teu guia nas mais amedrontadoras tormentas
mas não tema, meu filho!

pois assim como afago teus cabelos agora
o colo de tua mãe já te espera,
embora possas em diversos momentos duvidar
eis o mistério que a fé pode te revelar

assim como característica inata
à toda força que vem da mata
e culmina no mais belo luar
que definição de amor melhor poderia dizer...

ou explicar

R.

março 27, 2017

ascensão

é resgatado em meu íntimo
tamanha energia de um fluxo maior
não possuo tal conhecimento
quiçá, um pouco hei de vislumbrar

mas o apego à revelação
ou o encanto a consciência em elevação
não é, por agora, com o que devo me preocupar
talvez procurar em mim, as portas que me cabem abrir

e mesmo com suas trancas, sei que chaves hei de receber
no tempo preciso, no momento oportuno
que se traduz na mais leve e completa definição de quem sou
SER.

um contato, há tempos perdido
uma chance de reestabelecer laços com um mundo longínquo
mas que se pronuncia aqui e agora,
sua percepção não está fora

a iluminação do vasto oceano que sou
condiz com o pequeno barco no qual acho que estou
e que de mergulhos fazem a breve passagem da vida
na carne, na matéria, nas emoções aqui adquiridas

com razão, ser caminhante
balanceia suas pernas perante a esse vale brilhante
e saiba tua hora de se soltar
que de preparos inesperados somos feitos para aceitar

ou chamados despreparados, como queira decifrar
eu, por hora, confio nos passos que já dei,
para firmar-me quanto ao próximo que farei
mesmo em dúvidas e incertezas

sempre surgirá o momento de clareza
cabe a nós, a intenção
do eterno desbravar-se perante ao gradiente universal
que cabe na palma de nossas mãos.

R.

março 26, 2017

teimosia

a teimosia dos meus atos reflete...
se não em mim, diretamente,
então, ao que está a minha volta...
e de tamanha insistência e repetições

bem... volta.
aqueles sentimentos matinais
que parecem um quê de nostalgia misturado à tortura
psicológica e somática, aos meus próprios componentes
insolência?

já fiz essa pergunta... já sei sobre sua resposta...
mas por quê espero ainda o ponto, ou a vírgula,
que unirá o entendimento entre razão e emoção?
sufocante ou tedioso?

esqueci onde deixei a minha caixa de lápis de cor
talvez seja a hora, deveras, de comprar um novo pincel
novas tintas e tentar aquarelar essa insistência a que venho permanecer
não mais de mãos atadas, mas de própria escolha.

é tal qual um cansaço que chega em demasia,
preciso de busco por fôlego e talvez saiba onde encontrá-lo
no mais, acredito que é dar um passo de cada vez
e seguir a uma regra fundamental: não desfalacer.

camina, niño
sigue el olor de tu corazon

R.

março 25, 2017

desfecho

eis mais um desafio
que se apresentou em tempo corriqueiro
mas como todo sacrifício
o ofício se deu por inteiro

de amor, luz e alegria
agradeço aos irmãos por esta travessia
que com firmeza e concentração
o desfecho se deu pela ajuda de tantas mãos

"agradeço novamente,
agradeço todo dia...
por todos estes ensinamentos
caminhos para vida"

obrigado

R.

março 24, 2017

Lua

veio como uma gigante onda
e foi contra a rocha que existia em meu peito
percorreu meu corpo inteiro
e com seu vento, me desfez por inteiro

chegou de mansinho
demonstrando tamanha emoção
tal qual o encontro de duas estrelas
unidas pela órbita de um só coração

e de super nova, foi o que sucedeu
a esse encontro que para tudo se desprendeu
agora, como dois barquinhos de papel
desencontram-se na foz de um mesmo véu

na certeza de que foi precioso reencontro
e que nos ensinou como é importante o amor ante ao encanto
principal força motriz de tamanhas noções
saibas que, eternamente, farás parte de minhas inspirações

para o novo amanhã
que chega perante ao agora
não é hora de ir embora,
mas de caminhar, livre, lá fora...

das nossas próprias prisões
no além-mar junto a outros corações

R.

março 22, 2017

dias nublados, corações renovados

acordei com o sentimento de união
uma nostalgia que delicia-me em fatos
dos atos notórios de tão pouco tempo que passou
e a alegria de estar no meio de irmãos que me aceitam pelo que sou

sinto o amor, sinto tamanho bem estar
sinto você e a todos que aqui estão a cantar
e tento deixar os reais motivos da minha presença
serem sobrepostos à estes devaneios que distraem esta vivência

sigo, sigo, amando esta luz
caminhando nos vales encantados da vida
perambulando em sonhos à valsa que tu me remetes
e retornando ao ninho em um ponto distante d'outros

és o sentimento que permeia meu peito em casa
e que, ao fechar dos olhos, respiro como certa vez
para que cada novo passo, em minha própria firmeza
siga esta preciosidade com certeza

que é tão bom se amar
e que para isso, é preciso se curar
com calma, com alma, com esta valsa...

R.

março 20, 2017

labor

trabalha, trabalha menino
não deixe o foco dispersar
encontra a firmeza dos teus afazeres
e saberás onde podes chegar

segue nesse fluxo de ideias
organiza tua mente
ordena tua fala e escrita
assim, terminarás com vigor o teu labor

mais que isso, não se deixe desanimar
com o montante de informações à enxugar
de toda a dignidade empregada
a ti, ela será devolvida

em forma de paz e tranquilidade
calmaria para seguir nos teus dias
siga, portanto, no aqui e agora
é disso que tu vives
e a isso, tudo importa.

caboclo bom
trabalhador!

R.

março 19, 2017

falar sobre amor...

és livre por Ser
sem vaidades ou mal dizer
precioso tal qual a pérola
encantando a todos por onde permeia

aprendi sobre o ideal de leveza
olhei para você e vi tamanha firmeza
calmaria e paz no andar
certeza de quem está no caminho de se amar

de todos os apegos que possuí
agradeço a ti por me ensinar o desprender
o libertar de correntes e cordas
que enrolavam meu peito inteiro

da amizade e saudade
recebo um carinho sem igual
saibas que de mim, quero o teu bem
e toda força e luz contra qualquer tipo de mal

deixo aqui meus agradecimentos
a certeza plena que esse reencontro foi em um preciso momento
portanto, sem demasias
obrigado, minha irmã por este primor

de admiração, leveza no coração
e, como sabes, nunca tardia
remetes e contagias a todos
com sua imensa alegria

gratidão...
na alma, no astral
na terra e na vastidão
universal.

R.

março 14, 2017

pêndulo

de tanto falar sobre cordas
lembrei-me da que existe em meu umbigo
denotando tamanho esforço
em balançar-me quando fadigo...

ora vou para esquerda, percebendo a vastidão de um oceano
ora volto rapidamente para direita e me perco ou me engano
entre dantescos solavancos, eis que me encontro suspenso no ar
e sinto essa corda umbilical, deveras, apertar

seja rumo a um horizonte desconhecido
cheio de sombras ou cheio de abrigos
nos porões desta casa que me desbravo
preencho-os com o vinho da alma, o vinho sagrado

e assim, percebi o meu próprio caminho,
que consiste neste eterno balançar...
aprender sobre um ninho
e lembrar-me, outrora, de como é voar

mas de tantos movimentos,
uma reta se apresenta!
seria o caminho da verdade?
ou o descanso da corda que me sustenta?

equilíbrio

R.

março 09, 2017

eu_hipócrita

de comemorações atrasadas,
que lembremos da luta diária
que renasce em parto não natural
que força existir uma resistência anormal

levanta, caminha, anda, pisa, pula, dança
grita e luta! vai em frente e não esquece da conduta
que quebra padrões impostos
que renova a esperança de rostos cobertos

é foco, é fé, é consciência, é o que é!
quem é e sempre deveria ser
além dessa imposição, não mais impune,
do abuso de poder

que cairá ao chão, mas não será fácil
será de supetão, com amor, esperança e beleza no coração!
é quem levanta e caminha lado a lado
além de gênero ou das palavras de quem só quer fazer agrado

basta de hipocrisia, basta de poeta hipócrita
são todxs, juntxs e unidxs
contra a barbárie diária, informando quem não sabe de nada
ou finge esquecer...

nessa luta, o amor há de vencer.
além de gênero, pelo fato de SER.

R.

março 08, 2017

o menino

era um quarto escuro
com luzes vermelhas que oscilavam
e um menino sentado segurando suas pernas
e um sentimento que desnorteava

era um campo da mente
muito pouco visitado...
talvez fosse ali onde jogou-se a semente
de tudo que agora foi colhido sem respaldo

o caminho, parecido com uma corda bamba
de um lado do bastão, a loucura
do outro, a indiferença
a linha? considero como minha própria sanidade

eu lhes apresento o contínuo mergulho
que para uns, a queda reside na loucura extrema
para outros, na solução de todos os problemas
pra mim? ainda sei que se manter firme na corda me fará chegar...

a um outro lado que desconheço
a uma verdade que sempre me esqueço...
mas assim como o menino, que segura suas pernas
eis que seguro as minhas e arrisco um passo de cada vez.

força, força, pequenino!
não se esqueças de que ja fostes franzino
mas que justamente por habitar em tal quarto escuro
sabes da luz que existe em ti, quando maduro!

R.

março 05, 2017

palavreando

Falam muito sobre uma certa naturalidade
Divagando com tantas palavras e conceitos sobre esse quê de maturidade
Confundem-se com suas próprias palavras
Remanejam os sentimentos para atender e seguir o escrito e o dito.

Mas será que sabem de onde vem essa informação?
Conseguiriam distinguir qual é tamanha inspiração?
Poetas podem falar sobre a dor ou o amor como resposta
Cientistas sobre o que descobriram em suas amostras

Mas de onde se manifesta tamanho poder junto a matéria?
É o mistério que para a ciência, os cega
Tal qual a luz dos anjos celestiais
Queima a todos que não se preparam para tamanha revelação

Vinde calma, vinde tranquilidade
Este é o natural de toda humanidade
Ante ao desenvolvimento de qualquer concepção
Reside no mais puro amor, esta chave e explicação.

Qual vertente tu se encontras agora?
Consegues saber o que vem de dentro e o que vem de fora?
Firma teu passo e mais que isso, a origem dos teus laços.

Ante ao racional, que tuas palavras sejam oriundas dos olhos do Ser maternal
Que habita em teu coração e guia a tua razão.

R.

março 04, 2017

Unidade

É um sentimento semelhante
Mas sei que alguma coisa mudou
Se não, os fatos novos de nossas vidas
Só sei o que a saudade deixou

Esta, que bate em minha porta
E revela a vontade do olhar
Dos abraços intermináveis
E a certeza sobre um amar.

Certeza sobre amor? Com o tempo.
Atitudes diretas para lidar com esse tipo de dor?
Paciência do momento.
Não importa com quantos versos tentar...

O fato é que foi e é algo enraizado.
Esse sentimento momentâneo que me remete a pouco tempo atrás.
Talvez seja isso... Essa vontade, essa verdade...
De um abraço a mais.

Com amor,
R.

março 02, 2017

noite, noite, noite

é silêncioso, como a brisa da madrugada...
o estalo da lenha que jaz, para ser brasa
o momento sutil do auto-conhecimento
a verdade perante todos os acontecimentos

sou fogo, sou luz, sou trovão
sou a força da mata, na noite escura
sob a luz da Lua, com o vento que vem de onde se pôs o Sol
sou amor... sou força... sou Xangô.

de todos os verdadeiros silencios
eu quebro-os com o arremesso certeiro
faço pedras rolar para, por fim, o amor reinar
mais uma vez no mundo dos homens e criaturas

estamos vivendo a era da transformação
com mais amor que a razão

sou velocidade, sou andarilho
sou espírito, sou matéria
sou a passagem do Eu inferior para a forma etérea
sou das transformações, sou o amor de todas as nações

vivo e sigo, amo e aprendo.
deixo e vou lendo, minhas palavras
e meu próprio coração...

sou assim, sou esse ser,
que tenta não se confundir
quando coloca sua razão.

onde apenas há de se respirar...
e olhar com atenção.

R.

fevereiro 28, 2017

saber

Ganhei um colo de Mamãe
Não lembrava o quão bom era o descanso
Mesmo com qualquer desafio
O ensino está no que lanço.

E no que volta para meu ser
De espelhos a alma e a mente confundem-se
E de sincronias os sinais fazem da gente
Um quê a mais de poesia, e amor.

Conforme os passos são dados,
O aprendizado está nas mais simples coisas
Tal qual a madeira que acerta a cabeça
E a pena que pousa, lentamente, até o chão

De semelhanças? Apenas a matéria
De resto, o entendimento da situação momentânea.
Salve o guerreiro que aceita sua batalha
Mas salve mais o amor que permeia essa estrada.

Pois no raiar do dia, imensurável sentimento é o que consola o físico abalado.
E de lágrimas de bonança, é o que firma o espírito um pouco mais calejado.

Viva esta união.
Viva este Um coração!

R.

fevereiro 27, 2017

segredo

É na passagem do guerreiro que reside
Que engana-se pela verdade em prática
E eleva-se ao seu próprio pedestal

De ego e achismos intensos
O luar insiste em gritar, brilhar

E o que surge é a vida em demasia
O sofrimento opcional por teimosia
A arte do desapego não firmado

O soluço do choro engasgado
A vaidade e qual é mesmo a estima?

Que sua falta nos mostra essa sina
E por fim, a rendição ocorre
A saída se torna entrada...

E o amor, uma jornada.

R.

fevereiro 26, 2017

afago

eis que conheço uma verdade
E nela tento perseverar
sei que de passos curtos
Longe eu hei de chegar

Mas nesse trajeto bate a ausência
que no íntimo, é a falta de presença
Querer um alento, sem saber da onde
tal qual o carinho que recebo à fronte

é, deveras, carência
De um afeto que tento entender
chegar e olhar suas raízes
Para no fundo, poder reconhecer...

Que de liberdade, é feita a vida
e de vontades, questiona-se a ida
Tal qual a mão que afaga os cabelos do amado
é este tipo de afeto que tento compreender...

sem ser afetado

R.

fevereiro 22, 2017

perseverar

no auge de seu cansaço, veio a revelação
mostrou compreensão e trouxe certa paciência
tentando contornar as investidas forçadas oriundas da sua ciência
e de conselhos e sermões fez sua mente com calma analisar

querer mais que o próprio tempo denota seu preço
volatilidade pra quem anseia a chegada ante a caminhada
se toda criança constrói um castelo por dia
por quê, de demasiadas fantasias, te preocupastes nos teus?

há quem diga que é uma certa imaturidade,
outros, veemente afirmam que é o processo do inteiro
indo além do que se pensa ou pondera
para com o seu Eu verdadeiro

cabe portanto, jovem aprendiz, desenovelar teus sentimentos
e esticar as linhas dos teus pensamentos
talvez assim, atinja alguma resposta,
além do bem que sabes que carrega.

mas se não consegues olhar para o teu próprio espelho
de nada isso importa.

R.

fevereiro 21, 2017

sereno

és serena como as pérolas do mar
calmaria que transmite nos simples passos
diretriz para um rumo novo, és o que propõe teu andar
alegria no fôlego dos irmãos que ao teu lado desfazem os laços

prosas e versos das mais belas canções
tais quais os mais enfeitados timões
nos ensinando a velejar com amor
e a crer em toda força que no coração está

habita nos sonhos, deste pensante
reluz tranquilidade para este mero caminhante
que busca dentro de si sua própria firmeza
e esmerilha o seu Eu, aos poucos e com destreza

saibas que possuis cheiro de flor
entremisturado com as fragâncias do mar
poderia eu, pensar em quaisquer nomes para lhe dar
mas deixo o destino imprevisível decidir

junto deste pôr
insisto em levantar meus olhos para encontrar os teus
e inevitável é o sorriso que vem do coração
há de ser um apoio para qualquer direção

nos mares do universo
que podem se unir pelo compartilhar de mãos.

R.

fevereiro 20, 2017

nariz

é sem peso
e sem sua própria máscara
por mais que em lampejos
retorne a tua outra morada

de tantas portas no incosciente
coletivo é o que te une
agregado pelo teu Eu ciente
e consonante com o teu presente

do balaio retiro nossa poesia
do que sinto, nossa alegria
das possíveis dores, deixo o porvir
das incertezas, a imprevisibilidade do sentir

do amor, inspiro a vida
em movimento contínuo
tal qual a dança que me chamou atenção
és chama pro meu coração

inflama

R.

fevereiro 17, 2017

novo

cheirinho de mar
saudade no ar...
dos ventos do oeste
junto com o pôr, tão forte

és relevo e velejo
sinceridade em manuseio
diretriz e devaneio
segue por onde veio...

lá tem a trilha para onde vais
tal qual a chuva que escorre numa direção
levante as velas do teu coração!
e daí, saberás por onde andar

no fim, de repetitivos versos
fica a vontade pelo que é direto
e o olhar desejoso pelo novo e incerto
pois de certezas, já me basta o respirar!


R.

fevereiro 16, 2017

Nau

Segue por todos os espectros
Colore em todos os aspectos
Permeia o coração na frequência
E clareia a mente com a essência

Amar ao próprio corpo
As possibilidades e ao outro
Pensar em caminhar... Corra, ande, voe!
Não se deixe abalar...

De tantas tormentas,
Quais tu tirou, deveras, aprendizado,
E de que forma tu ententas
Seguir nas justificativas para teus atos falhos?

Segure em si e saiba remar
Teu corpo é teu próprio barco
Nessas águas que vão além-mar

Lembre-se das firmezas
Que tua própria Nau possui
Está em teu coração...

A chave para tudo que flui.

R.

fevereiro 15, 2017

adiante

dançamos uma música
por hora, a melhor de nossas vidas
sem hora para pensar em mais
até olhar para dentro e não para trás

de tantas culpas, a desculpa bem vinda
os momentos inseguros, as pressões em demasia
a necessidade pelo falar...
mas o que? quando nem habita ainda
a ideia no campo do pensar?

deveras, temos nossas parcelas,
mas temos mais que isso... pois como disse:
dançamos! e a vida é bela!

portanto, que daqui em diante
mesmo em um mundo distante
proximidade, é o que um sentimento traz
e verdade será o que nos enriquece mais

não me refiro, por obviedades,
às riquezas desse mundo
se não a do bem-estar e a do amor próprio e profundo.

perdão eu,
perdão tu,
gratidão.

R.

fevereiro 14, 2017

antenas

sinais de todo lugar
antenas para os interceptar
obviedades nutrem a ilusão
cabe, portanto, remover esta visão

escutar com o coração e olhar com o nariz
saborear com as orelhas
continuar o caminho
e querer ser feliz

tal qual o farol guia as embarcações
sei que o vento carrega demasiadas emoções
transmuta a questão do ser
e deixa-nos viver através do verbo estar

cá respiro, inspiro e expiro
buscando em mim, soluções
e quando canso de me olhar
lembro dos olhos que me permeiam em sensações

com calma, eu vou chegar
mas antes, hei de me curar... 

R.

fevereiro 12, 2017

cheiro

pele, cheiro, pelo, trejeito
Curvas, tons, nuances, sensações
puro, nú, cru, sincero
Desejo, anseio, aperto, beijo.

Sentimentos, suspiros, fôlegos, delírios
chaves, fala, olhares, verdades
Força, suavidade, mansidão, calmaria
ápice, desfecho, entrega, cortejo

saudade, bondade, intimidade
Seresta, dança, avança
sorri, morde, lábio
Vontade, carne, relevo

Sutileza, compaixão, companheira
honestidade, alma, pluralidade
União, miração, solidão
palavras, livres, ensejo...

À verdade entre os lábios que se entrelaçam,
Ao ato para que renasçam...
Mais uma vez.

R.

fevereiro 10, 2017

aspirações

eternos transeuntes
desta grande imensidão
da qual aprendemos aos poucos
o sentido e a direção...

seja da vida ou de nossos afazeres
mas qual separação consiste
entre os pensamentos e os dizeres?

quiçá, a linha tênue da verdade
que habita em nosso ventre da liberdade

e reluzes ao céu, junto com tuas aspirações íntimas
relembrando a origem, o caminho e a divina supremacia

o eterno retorno do saber
sábio o que cria novas rotas, por assim dizer

estando rendido ao paradoxo temporal
submetido às leis humanas e espirituais
ante a quebra de velhos ciclos

o interno mergulho, que como um passo...
ao mesmo estado não retorna, jamais.

R.

fevereiro 09, 2017

ursos

Certa vez, ouvi um rugido...
Era de um outro animal
Robusto, grande...
Bem parecido.

Humildemente adentrei
Em meu íntimo a caçar
Tal qual a pantera ao andar
Dentro da floresta escura...

De cá pra lá,
Ruídos e sopros...
Mexidas e alvoroços...
Mas era tudo dentro ou fora?

Ainda em meio a minha cegueira
Eis que veio meu seguro...
Um ponto de apoio,
Um seguir dos fluxos.

Tamanho era o rio
E forte era sua correnteza,
Até que em certo ponto,
Por fim, pude ver a clareza.

O urso que rugiu,
Reconheceu-me em seu interior
E tamanha era minha ingenuidade
De esquecer-me do espelho exterior.

Dois ursos que se conhecem,
Como um corpo que se enaltece,
Rumo ao olhar.

R.

tudo bem, de fato.

tudo bem sentir tantas coisas
perceber o tempo passar
pensar, nostalgicamente, nos olhares
e deixar, um "tiquinho", sentir saudades

de magia era feita a ilha que conheci
de amor e histórias, um livro preenchi
e de verdades simplórias, agora, me despedi
revisita e inspira o ar...

o mar que banhava os pés
o calor que abraçava as mãos
eis que cá estou, ser da montanha
mas nada de pedra tem o coração

dureza mor, é expurgar tal sentimento
querendo colocar máscaras ao que está doendo
mas que dor é essa? que tamanho possuis?
permites que seja mais forte que tua alma e tua luz?

jovem caminhante, aspirante de poeta
catarse-à-se em palavras, poemas, tristeza ou festa.
abraça-te e ama-te, percebas o que tu sentes
não só de sombras ou luz consiste o teu presente.

mas não permitas que as trevas dominem a tua mente.

R.

fevereiro 07, 2017

camarada

Concentração...
Necessária pra todas as horas
Relapso de cada um,
Deixá-la de lado.

Tal qual a energia concentrada
Para o guerreiro que assume sua postura
Segue e flui por toda a sua coluna
Irradia.

Os momentos de descanso,
Precaução.
Os de cegueira,
Precisão.

Segue, olha tua respiração...
O que, deveras, tu sentes?
Animismo ou pura intuição?

És sutíl,
Como o olhar de um morcego
És febril,
Se permites em tu, teu próprio desespero.

Respira, ó guerreiro marcado
Tamanhas foram as tuas batalhas
Maiores serão as que estão por vir...
És dádiva da criação

Aprender pelo simples fato de existir.

R.

fevereiro 06, 2017

passarinho

Beberica passarinho
E afina o teu cantar
Avoa a vastidão dos ares
Pois o céu é o teu lar

De todas as gaiolas impostas
O bater de tuas asas demonstra
A força e tua capacidade de se libertar
Por mais que te tirem as penas...

Eis que a Lua serena há de te ajudar
No canto da floresta
Ecoa tuas notas aos caminhantes
Norteando a beleza

E deixando aos passantes,
A certeza de amar!

Saibas tu, passarinho,
Que teu suspiro permanecerá nos corações
Daqueles que forem corajosos
De enxergar além das emoções!

Avoa, avoa e saiba onde pousar
Construa o teu ninho e renasça
Ensinando outros a cantar!

R.

fevereiro 05, 2017

marujo

Respira, Marujo.
Inspira o coração
E segue a tua missão
Com os instrumentos que Deus dá.

Saibas tu, que de toda travessia
Tua tripulação lutará por mais um dia
E quererá te ver sorrir no novo amanhã
Na aurora da vida, que anuncia...

A chegada dos teus irmãos e irmãs.
Assim como um filho que torna a casa
Teu coração também é nossa morada
E lembre-se dos ensimentos do velho Juramidam...

É com amor e firmeza que fazemos um novo amanhã!

Força, amor e firmeza, marujo!

fevereiro 03, 2017

mar e Lua

acordei, sem chão
turbilhão de informações no sonhar
levantei e cambaleei até acordar
percebi, então, o motivo desta falta de precaução

permitir, momentaneamente, contatos do passado
atos no presente que nos remetem a previsões futuras
ansiedade? falta de fôlego? verdades?
a mente sabe de todos os porquês e vaidades

portanto, cabe à perseverança
à firmeza e a bonança divina
auxílio, caridade e muito amor
o balanço da nau, permanecendo imóvel

ou velejando com a santa luz,
movendo não aqui, mas lá
eis que o astral toma nosso coração
de amor e avisos para seguir nessa missão

de dia em meses, de tempos e momentos
há tempo!
levante essa cabeça, marinheiro,
e aceite que velejas e mergulha, quando necessário...

no teu próprio mar, use a Lua para te guiar
não esqueça dos teus votos e do que lhe foi ensinado
permaneça firme, frente as ondas dantescas deste mar bravo
e assim, siga tua rota, na terra, no céu e no mar...

não tenha medo do teu barco virar!

R.

janeiro 31, 2017

felicidade

alegria que bate no peito
além da matéria e dos trejeitos
que permite um fôlego e um carinho
tal qual o ombro amigo, tanto querido

és como uma jornada no meio da vastidão
com pontos cintilantes e sem qualquer direção
apenas mergulhar e respirar
eis que a resposta cá está...

de que adiante perseguir os mesmos ciclos
se, no fundo, reproduzimos os mesmos vícios?
tal qual a pedra no fundo do mar
és sempre hora de tirar a areia e deixá-la brilhar

resplandece como o aconchego no coração
ilumina as profundezas da alma na solidão
és o próprio caminhar com quantas pernas quiser
e deixar o vento soprar, à matéria, para o destino que vier

e a flor desabrocha em meio ao concreto
o sorriso atravessa o silêncio do decreto
que de paciência colore o caminho
e de amor, revela-nos o Eu, mas sozinho?

R.

janeiro 30, 2017

vredade

me disseram pra ser arte
optei pela forma da poesia
conquistaram meu coração de Marte
permaneci, aos romperes, em demasias

cíclicas do meu coração,
diretas, na contra-mão
certo de que um dia chegarei lá
mas existe provação maior que esperar?

adianto meus passos,
tropeço em meus vícios
perdoo-me como de praste
mas calejo-me ou avanço sobre o ciclo?

de tantos questionamentos,
a solução pode ser mais simples do que aparenta
e de vaidade vivem a maioria dos homens
certos de que ao azar, o seu olhar afugenta.

R.

janeiro 29, 2017

Poema da sinceridade

Vem de dentro,
a força das palavras
Ecoando pelo vento,
nas matas povoadas

És sincero,
como quem sabe que do chão tudo nasce
E à ele tudo volta,
renasce.

Vem do coração,
algumas palavras que tendo balbuciar,
Outras vem na contramão,
artimanhas do ego, para me ludibriar.

De todas as palavras,
gestos e poesia...
Eis que a verdade nos olhos persiste junto desta maresia

Por fim, chega novamente a dúvida,
angústia e inconstância.
Mas eis que me agarro
a esses sóbrios momentos
em que minha alma, livre, canta!

Como o brilho do olhar...

R.

janeiro 24, 2017

dor latente

vem na mente, sem se perceber
instala-se no peito, sem se ver 
perdura até o leito, é pra doer
e quando não se aguenta mais...

o vento remedia
os cortes que a vida faz
e o tempo traz a cura
para o agora e o demais

de todo excesso
sobram-se motivos
transbordam lágrimas
fecham-se sorrisos

que consigamos seguir adiante
nesse mundo de gente tão distante
e não esqueçamos da lição...
é no amor que está nossa salvação.

R.

inspira

Acorda, respira, levanta...
Água, café, comida.
Caminha, anda, corre
Trabalha, cansa, suor escorre

Tropeça, rala, machuca
Respira, sente, senta.
Sobe, escala, aguenta!
Conhece, não esquece...

Entende, aprende, estuda...
Vive, encanta, pede ajuda!
Chora, ri, lembra e sorri.
Veleja, dirige, voa...

Morre, renasce, resplandece...
Padece, perdoa, enjoa
Raça, espécie, limpeza*
Homem, mulher, natureza.

*Limpa de si, com firmeza.

R.

controle livre

vem na carne
cana, cama
apego, afeto
sexo

sinceridade na alma
impulso da valsa
mas cadê?
não existe tantas vertentes pra se escolher

limpeza, natureza,
calma, água
rio, correnteza
pureza

vaidade? porquê?
vontades, de você?
de mim. de tudo. do todo.
verdade.

resiliência, potência,
força
paciência
liberdade

viver, sem ter
crêSER.

R.

janeiro 23, 2017

carinho

É como afagar o cabelo
Sentir um cheiro de café
Ou a terra com o pé

Mas não por uma saudade
Sem consciência...
Sem amizade ou apenas por carência

Eis que meu coração ainda
Enxarca o pano envolto
Com as boas e bem vindas

Novidades do extremo nacional
Me perdoe pela licença da poesia
Mas ainda sinto o cheiro desta maresia

E não que isso seja ruim
Apenas dói sem querer
Vai sanar... Com amor e caminho

Seguindo, deveras, este carinho.

R.

janeiro 15, 2017

fôlego

continua marinheiro
no seu barco à remar
não esquece do cruzeiro
e com o Sol se levantar...

há trabalho no formigueiro
nesse mundo em contramão
as vezes criamos asas de guerreiro
em outras, permanecemos no chão

neste terreiro, de joelhos
nos lembramos dos ensinamentos
na verdade, que bebemos
cuidamos dos pensamentos

cabe a toda tormenta
um dia apaziguar
trazer os ventos refrescantes
para nosso Deus sempre amar.

por fim deixo a razão
um cado de lado...
permito ao coração
se livrar destes fardos...

que nos deixam sem ação
até o primeiro passo...
nos mostram na repetição
os ciclos que nos ferem com aço.

R.


janeiro 14, 2017

travessa, travessia.

entender que a tristeza tá dentro
é aceitar que tudo vem do mesmo lugar
e por mais que seja lindo o fato de viver
eis que existem travessias que nos fazem sangrar

por hora, eu sei o que eu queria
e também sei o que eu preciso
mas é de tanto saber que existe sentimento
que não tem razão ou cabimento

apenas o fluir... deixar vir...
como um rio lava suas pedras
meus olhos inundam minha selva
de pele, pelos, odores e relevos

quiçá, seja nesse poema que expurgue o necessário
mas sei, em meu íntimo, do trabalho árduo e diário
cabe portanto orar... pedindo para que esvazie o peito
de tanta nostalgia, que me deixa até sem jeito...

de lidar... é quase como se autoflagelar.

R.

janeiro 10, 2017

dualidade

vem por mansidão
até que arrebenta com um estrondo
e apresenta-se como dragão
és a consciência sem sua função

com labaredas e a ferocidade em mãos
chega, portanto, em tanto, no coração
a vontade que atropela
a vaidade que nos cega

é como um trovão
que assusta os arredores
para quem não tem firmeza de seus pormenores

chega a partir das águas calmas
como a força do guerreiro que insiste em nadar
até o lado opositor do rio

e, como um réptil preciso e minucioso
atira-se em bote, rumo à presa com gosto
mas eis que as pedras rolam do céu...

e tamanho ser, desfalece-se de seu véu.
apresenta-se como força interior
há de ser domada, pelo seu próprio feitor

ante o rugido de mais um trovão
surge igual alvoroço
e a força que segura as rédeas

equilibrando a alma e o coração
respirando e respeitando
tamanho momento da revelação

trazendo luz junto com a monção.
transbordando o rio que segue sua direção
salve o guerreiro e salve o domador de seu próprio dragão.